June 9th, 2007
A vida boêmia.
A vida boêmia, a vida boêmia. Ela não é assim tão simples quanto aparenta ser.
Diante dela, encontramo-nos com toda uma gama de considerações e filosofias que questionam o nosso ultrapassado (não-boêmio) estilo de ser.
- A noite é uma criança.
Vai, quem nunca falou isso que jogue a primeira pedra. A única diferença é que, quando não nos encontramos em um estado de vida boêmio, NÃO, nós não achamos que a noite seja uma criança. Aliás, ela pode até ser, desde que já estivesse deitada na cama desde as nove horas da noite. Convenhamos que uma longa rotina de estudos/trabalho é inquestionavelmente incompatível com baladas de sexta-feira que começam à meia noite e meia.
- Todas as respostas da sua vida estão no fundo desse copo. Ou do próximo, talvez. Com sorte.
Questão auto-explicativa. Levou um fora do namorado(a)? Bom, o próximo amor da sua vida muito provavelmente encontra-se no fundo daquele copo sujo de cerveja barata do boteco. Uhum.
Levou uma prensa do chefe? Bom, aquela situação perfeita na qual você encontra o seu chefe em uma esquina obscura pagando um boquete para um rapaz menor de idade também está no fundo do copo.
(Quanto à situação, uma explicação: convenhamos que nós ganharíamos muito mais denunciando nossos chefes às autoridades competentes do que espancando-os nesse mesmo beco escuro. A violência acarretaria em processo não para ele, mas para nós mesmos.
Aliás, com sorte ele fica muito puto da vida com você e te espanca. Aí você vai lá e processa ele de novo e limpa o filho da puta.
Pense nisso.)
- Talvez o amor da sua vida esteja nessa balada.
Sim, claro. Nessa ou em qualquer outra da Vila Olímpia, da Vila Madalena. Ou talvez ele esteja fazendo intercâmbio. Ou quem sabe pegou um resfriado e não pode sair de casa só por hoje. Ou quem sabe está com outra pessoa, que tal? O máximo que você pode ganhar em uma balada é passar a mão em uma mulher gostosa – e bêbada - / pegar um cara muito bonito. Ok, talvez você possa ganhar um pouco mais, mas enfim. Nada de consequências prazerosas a longo prazo.
- Amanhã você estuda.
Ok, vamos enganar a quem, meu bem? Amanhã você muito provavelmente vai acordar, virar pro lado no seu lindo e delicioso travesseiro e sentir a sua cabeça um tanto desconfortável com a simples menção de qualquer tipo de movimento. Tirando o sono insuportável, resultado das poucas horas de sono que você teve entre chegar em casa bêbado e a sua avó te chamar para fazer o almoço. Ou sua mãe te chamar pra limpar a piscina.
Quando você conseguir curar-se desse maldito mal estar, dessa vontade de bater a cabeça na parede pra ver se explode logo, dessa maldita sede que te fez beber tudo que tem na geladeira mais aquela suada e gelada coca-cola que você foi – com muito esforço – até a padaria comprar, o seu querido amigo, tão boêmio quanto você, vai te ligar e você vai ouvir as seguintes palavras: “Open Bar”.
- Estudar pra quê?
- Trabalhar pra quê?
- Dormir pra quê?
Essa especificamente é a minha preferida. Afinal de contas, que mal tem em se passar o dia inteiro sentindo-se um zumbi mongol, andando pelas repartições do escritório – e tropeçando em todas as latas de lixo que se encontram no seu caminho - e ouvindo a sua cama te chamando lá do outro lado da cidade?
- Bebe que passa.
Não, filhote. Não passa. Para falar a verdade, a grande chance é justamente a de que tudo piore e que você se dê conta, no dia seguinte, que ligou para o seu chefe pedindo demissão ou ligando pra sua ex-namorada (sim, exatamente aquela que agora ta dormindo com o seu melhor amigo). Dá pra entender?
Enfim. Nós não ganhamos absolutamente nada adotando um estilo de vida boêmio.
Mentira, pensando bem, ganhamos sim: hepatite, cirrose, alguns roxos inexplicáveis no dia seguinte, aquela nota maravilhosa que você tirou depois de ir fazer prova bêbado/ de ressaca.
Porcaria, não?
Pois é, pior que não. Primeiro que as faculdades nos incentivam a levar essa filosofia de vida
(trabalho de 200 páginas pra quarta-feira?)
(prova de constitucional?)
Depois de todas as obrigações de uma semana cheia ( ou metade de uma [ ou quem sabe até mesmo depois de apenas um dia exclusivamente filho da puta ] ), lá estão o nosso casal preferido: a balada e a cerveja (e/ou auxiliares).
E viva as sextas-feiras, as baladas, os bares e o estudo que pode ser deixado para amanhã.
E abaixo a ex-namorada. Ou o ex-namorado. E o chefe, é claro.
Um ótimo sábado pra vocês. :)
Cheers, hot.
;)